Créditos de carbono poderão quitar impostos no agronegócio

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Com valorização no mercado internacional, esses instrumentos avançam como solução sustentável e, no Brasil, podem se tornar moeda para o pagamento de tributos agropecuários
9 jul
2025

  • 10h00
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Frente aos desafios das mudanças climáticas e à crescente pressão por práticas mais sustentáveis, os créditos de carbono vêm ganhando destaque como instrumentos que representam a redução ou remoção de uma tonelada de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. De acordo com dados da Taskforce on Scaling Voluntary Carbon Markets (TSVCM), o mercado voluntário de carbono pode movimentar entre US$ 10 bilhões e US$ 40 bilhões até 2030, conforme aumenta a demanda por neutralização de emissões por parte de empresas e governos.

Foto: Freepik / DINO
No Brasil, o mercado de créditos de carbono está em expansão. O Projeto de Lei nº 1436/2024, aprovado pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, prevê que produtores rurais possam utilizar créditos de carbono para o pagamento de tributos relacionados à atividade agropecuária, como o Imposto de Renda Rural (IRR). A proposta reconhece a geração de créditos como uma atividade rural, com o objetivo de incentivar práticas sustentáveis no setor. Segundo dados do Observatório do Clima, o agronegócio responde por cerca de 74% das emissões de gases de efeito estufa no país, o que torna essa iniciativa relevante para a transição ecológica no setor.

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Segundo Carlos Eduardo Silva, diretor da Excel, empresa do setor de gerenciamento de combustível e gestão de frotas, o mercado de créditos de carbono tem se tornado uma ferramenta estratégica. “A comercialização desses créditos permite que empresas neutralizem parte de suas emissões, enquanto investem na transição para operações mais limpas. É um passo importante não só para a sustentabilidade ambiental, mas também para a competitividade econômica”, afirma.

Além disso, Carlos ainda aponta que empresas com grandes operações logísticas, como a Ambipar, Ambev, Grupo Boticário, DHL Brasil e Grupo Simpar, têm buscado integrar a compensação de carbono à gestão de suas frotas. “Empresas com grandes operações logísticas buscam maneiras de mitigar seu impacto ambiental. Incorporar créditos de carbono ao planejamento de frota tem sido uma alternativa viável e valorizada pelo mercado, isso porque alguns bancos e instituições financeiras internacionais oferecem crédito com taxas de juros mais baixas para empresas que trabalham com créditos de carbono, incentivando a adoção de práticas mais sustentáveis”, complementa Carlos.

Grandes corporações internacionais têm se posicionado de forma estratégica no mercado de carbono. A Microsoft, por exemplo, comprometeu-se a remover mais carbono do que emite até 2030 e anunciou investimentos em projetos de sequestro de carbono, incluindo reflorestamento e captura direta de CO₂. Em seu relatório de sustentabilidade de 2023, a empresa indicou que adquiriu cerca de 1,4 milhão de toneladas de remoções de carbono certificadas apenas naquele ano.

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Esse movimento reflete uma tendência global. Segundo relatório da BloombergNEF, mais de 90 países, que juntos representam cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, já adotaram ou estão implementando mecanismos regulatórios de precificação de carbono, como mercados cap-and-trade ou taxas sobre emissões. Essa transformação está moldando cadeias produtivas, direcionando investimentos e influenciando decisões corporativas no sentido de atender às metas climáticas previstas no Acordo de Paris.

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